Vorstellung

Essa mistura de dois, mistura essa como óleo e água, que, apesar de naturezas líquidas, quando juntas, não poluem uma a outra. Essa mistura não é complementar, mas sim somatória, e por que se faz necessária a soma? Não se faz! Mas por outro lado se quer. Ademais, poucas são as vezes que encontramos naturezas semelhantes a nossa, livres, por assim dizer, nesse caso, aproveitemos o ensejo. Questionamo-nos então quanto à questão sobre o porquê de escrever, de mostrar a visão que obtivemos a partir de leituras infindáveis – literalmente – acerca de assuntos que nunca se cansam de obter um desenvolvimento cada vez mais urdido, amplo e cada vez mais ininteligível para o populacho – é uma ótima pergunta, para a qual nunca haverá uma resposta peremptória. Tal qual a baleia que precisa sempre subir à superfície da água para respirar o oxigênio, nós, escritores, filósofos, senhores das belas-letras, precisamos escrever. Não nos basta a citação direta e indireta dos grandes e nobres pensadores: precisamos também nos tornar fortes e nobres – qual outra maneira senão pela superação do próprio ser através da escrita? A escrita que se imortaliza: a moça vaidosa que escolhe somente os melhores para dominarem-na pormenorizadamente. Somos apenas as imagens que ocupam o lugar à direita, somos crianças brincando com as palavras – nosso maior e melhor ludus –. Se somos o que escrevemos, cabe a nós decidi-lo. Não nos permitiremos a categorizações. Ademais, a procura da identidade através da escrita já é tão antiga e tão importante que faz iniciar a própria história: nós ainda escrevemos em cavernas. Ó! homens, se vocês entendessem o quão graciosas são as belas-letras, o poder de se comunicar e se tornar pleno com apenas símbolos que nos são transmitidos como letras!