Die Kindheit

Este post é apenas uma síntese daquilo que é uma pesquisa que estou fazendo com meu professor acerca de um novo conceito filosófico. Foca-se exatamente num ponto crucial dela: o símbolo da criança e sua relação com o medo.

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A infância

A criança é o símbolo da inocência. Como age o medo na criança? Ele age de uma maneira muito interessante, uma vez que a criança ainda não possui o aparelho psíquico totalmente desenvolvido, principalmente por parte do superego. Dessa maneira, é muito normal que, mesmo após a criança ter levado uma bronca da mãe, ela vá botar o dedo na tomada. Mas seria isso apenas ignorância? Há algo além disso? Há muito mais além dessa simples ignorância infantil: há o desejo, a vontade de descobrir, esse não-medo, essa atambia da infância, defronte ao desconhecido, essa ânsia pelo novo e pelo que é palpável: isso vai muito além de uma simples ignorância por parte da criança.

Aos poucos, quando a criança passa à adolescência, há poucos resquícios dessa infância. Eles são, geralmente, respondidos com muito reforço negativo (usando um pouco dos conceitos behavioristas) por parte dos adultos que o cercam, fazendo com que o adolescente, enfim, vire adulto. Mas o que acontece com o medo nesse processo? Ele passa por um processo de amigabilidade: o medo não é mais medo, ele agora é aceitado como parte inerente do ser ontológico, por assim dizer; ele começa a receber muitas risadas de si: ora essa, o que acontece com todo sentimento quando é debochado? Tais quais as morais hipertrofiadas, elas são vaidosas e não permitem o riso delas. Mas o adulto ri do medo: o medo se encolhe. Desse modo, o adulto consegue ultrapassar seus medos, conseguindo se desenvolver cada vez mais. Errado.

Quando se chega à fase adulta, o medo se transforma num simulacro: ele é apenas aparência. A partir de experiências passadas, o medo recebe uma forma muito maior e monstruosa do que ele realmente tem: as pessoas costumam a taxar as coisas “ruins” como grandes demais: demasiado medo do medo, medo do monstro. Dessa forma, o medo é tornado amigo e parte inerente de si (não é mais preciso provar que não há medo para os outros), logo, não há mais a necessidade de ultrapassar aquilo que o medo impõe como limite, mesmo ele sendo apenas aparência de monstro.

Ora essa: a criança tem a coragem de ir além do medo, o adulto possui a amizade do medo: o que devia haver além de um movimento retrógrado à infância que permitisse a procedência como adulto?

“If I let you go, do you think you could fly?”

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12 comentários em “Die Kindheit

  1. Kylee disse:

    Achei Muito Interessante o Seu Post, O que Levou você a fazer essa pesquisa ? Curiosidade ?
    beijinhos

    • felipemp93 disse:

      Agradeço-te, antes de tudo, pela paciência de ter lido e comentado aqui.

      Bem, isso é uma pergunta muito difícil de se responder: talvez seja o mesmo que perguntar para Schopenhauer o porquê de ele ter pesquisado e desenvolvido sobre a vontade e a representação, ou para Kant do porquê de ter pesquisado por dez anos e desenvolvido a teoria da razão pura. Creio que seja porque é um tema que me chama muita a atenção: é um tema belo e complexo…até agora o medo foi um sentimento não muito comentado por filósofos (exceto os psicanalistas, psicólogos, psiquiatras e neurologistas, que tem também algo de filosófico)…mas é que nenhuma forma que o medo foi desenvolvido, até agora, agradou-me o suficiente, por isso vejo a necessidade de pensar e pesquisar o medo.

      Espero que isso tenha ajudado.

  2. Alberto Altoids disse:

    Achei o tópico com pouca relevância para discussão.
    Penso, aliás, que as experiências citadas e as adversidades enfrentadas fazem parte de um processo de amadurecimento humano. Não vejo necessidade de “filosofar” acerca de um tema tão clichê e tão irrelevante.
    Pensemos em temas mais amplos, mais relevantes e mais passiveis de debate.

    Bom texto, pouca relevância.

    Roberto Altoids.

    • felipemp93 disse:

      Seguindo esta mesma lógica, nós não poderíamos mais filosofar e pensar acerca da tragédia grega…porque veja só quantos anos já fazem que esses filósofos tocam neste mesmo assunto! Que coisa mais clichê e demodê! Coisa de gente que não tem o que fazer, de fato…mas e daí?

  3. Thay Tonon disse:

    nossa ‘-‘
    mt interessante! o medo é bom tbm..
    como diz a diva pity…
    “Homem que nada teme, é homem que nada ama”

    Estamos seguindo 🙂

    Parabéns msm pelo post ^^

    • felipemp93 disse:

      Agradeço-te por ter lido o post.

      Bem, eu nunca disse – e nunca poderia, sequer, pensar – que o medo é ruim.

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      “Homem que nada teme, é homem que nada ama.”

      Bem, isso já constitui um paralogismo na medida em que não existe ser que não tema algo. Mas, suponhamos que exista o homem que nada tema: por que ele seria um homem que a nada amaria? Eu poderia muito bem pensar o contrário: o homem que nada teme, é o homem que a tudo não teme amar, e, na mesma proporção, que nada teme odiar. Porém, botar o amar e o odiar como dicotomias, como bem e mal, é um outro paralogismo, uma vez que não há um bem, nem há um mal: e o caso nem é pensar que o bem vence o mal, mas pensar que existe o bem, ou um bem, e o mal, ou um mal. Essa volta toda serve para mostrar que se houvesse o (ser) homem que nada teme, ele seria um homem amoral por excelência, ele seria um homem que amaria demais, que odiaria demais, exatamente por não fazer juízo de valor entre esses dois…e o que há de errado com isso?

  4. UaiMeu! disse:

    Muito bom o seu texto. Eu estudo educação física e estudei muito essa parte em psicologia e na própria recreação tb …Às vezes pecamos muito com as crianças, negamos muitas coisas, damos bronca por acharmos que é pura desobediência delas, mas, no fundo, não é isso, elas estão num mundo novo descobrindo as coisas, a repetição faz parte, ou seja, se a criança mexe numa caneta, ela vai querer mexer ali mil vezes: essa fase é marcada tb pela repetição. Até eles ganharem um pouquinho mais de dissernimento do que pode ou não demora e muitas vezes não temos paciencia com isso.

    Abraço, Ricardo.

  5. Renata disse:

    Não conhecia o blog, fiquei em um estado de reflexão. O que eu pude perceber com o texto é que a chamada ignorância proveniente nas crianças, na verdade é a falta do medo que existe nos adultos, as crianças não temem ser criticadas, não importa o quanto dizem que colocar o dedo em uma tomada causará um choque… O medo é encapsulado com o passar do tempo…

    • felipemp93 disse:

      Olá, Renata.

      Bem, pensemos um pouco sobre isto que falaste. A criança ainda sente medo, mas o que é este medo na criança? É exatamente o medo de não poder transformar o desconhecido em conhecido (isso até uma certa idade). O medo é algo que faz parte do ser; o que precisa ser criticado e estudado é a reação que se tem a esse medo e como os outros concebem tal medo.

      Há muitas fases até chegar ao adulto. É um assunto extenso e muito bonito, por isso o pesquiso.

  6. DuddMart disse:

    Muito interessante isso. Também adoro discutir assuntos filosóficos. Gostei do texto. =D

  7. lollyoliver disse:

    Nossa, muito interessante, demais. Adoro refletir, pensar, discutir ou ao menos falar com a pessoas sobre assuntos filosóficos. É bom e sempre abrem caminhos.

  8. Luiz Rosa Jr disse:

    A questão do medo do adulto pode ser por uma explosão de consciência diante dos temores e receios muitos adquiridos ao longo da vida, já a criança é ingênua e inexperiente quanto a isso e acaba por ter ações quase sempre impulsionais.

    Muito bom artigo Felipe, este um dos melhores e mais interessantes dos teus,

    um cordial abraço.

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