Pfeile

Setas

Eu quero gritar. Pois bem, escreverei. Contar-lhes-ei sobre o nada e a angústia. A angústia é presença confirmada quase todo dia, o nada também. A angústia me cercou certa vez, e de metida continua a fazer o mesmo todo dia, para atemorizar-me sobre o por vir. A falta de luz para vislumbrar o vindouro, faz com que eu dirija com cautela, lentamente. Sem saber onde se localiza o maldito botão de luz alta continuo cauteloso. Queria ser como a águia. Uma vez ouvi dizer que nós não precisaríamos ver toda a estrada para chegar ao destino final, mas apenas os próximos cem metros. Nunca consegui traduzir isso para minha vida. Eu não conheço a estrada, não sei o destino, não conheço a sinalização, e se acabar o combustível? Qual será meu destino (?). Inventei para mim, certa vez, minhas próprias leis. Cansei-me delas e as esqueci. Comecei então a viver como um barco a velas abandonado em alto mar, esse para mim é o nada, o nada diferente de outrora. Em tempos passados o nada era a simples ausência de crença e a recusa de tudo. Não quero reclamar, nem quero gritar de ódio, desespero, ou seja lá do que for, estou tranquilamente confuso, são tantas setas apontando para tantas direções. Estacionei o carro por conta disso. É claro que seria mais fácil se eu seguisse a Rota66 em cima de uma moto, mas não, resolvi andar de Dodge Ram em Nova Déli. E por falar em setas, fiquei pensando sobre elas… Não seriam elas os nossos desejos, vontades ou coisa parecida? Acho que sempre volto inconscientemente nesse lugar onde estacionei pela primeira vez para ver as malditas setas, elas são tão bonitas. Acho que estou começando a me apaixonar por setas. Poderia até ganhar dinheiro com elas, vendê-las quem sabe. Mas como? E por quanto? (…) É impressionante, o pensamento termina e para mim as setas já são feias, como poderei agora vender algo que nem eu mesmo gosto? Às vezes sou bipolar. Teria como não ser? Quero ser e sentir tudo, quero todas as setas para mim. Difícil escolher qual seguir primeiro. Acho que venho escolhendo as que me fazem voltar mais rápido ao lugar do estacionamento onde se podem visualizar as setas bonitas/feias. Talvez a seta da Rota66 seja a mais longa de todas… Acho que vivo experimentando. Sou um experimentador de setas, de pequenas rotas. Estou farto delas já. Preciso de uma grande rota com pequenos desvios. Preciso de todas as setas, mas que todas elas apontem apenas uma direção.

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2 comentários em “Pfeile

  1. Renato disse:

    Pois bem, essas setas não são birutas! Todas ao prazer dos ventos…
    Bom. gostei, “mó daora”.

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