„Die Welle“ und die Überwindung des Faschismus

“A onda” e a superação do fascismo

A ideia de que não há mais como fazer poesia depois de Auschwitz, hoje, nos parece mais do que absurda. Nem tanto para aqueles que viveram movimentos como o “Diretas Já”, p.ex., pois este clima do século XX ainda ferve em suas veias. Mas, para nós, nova geração, geração pertencente ao século XXI por excelência, que possui, mais forte que nunca, a capacidade do esquecimento, apesar de tudo estar contra esta, não sentimos mais esse tipo de coisa, somos contra na verdade. No entanto, esquecer não é sinônimo de superação completa, é parte desta. Até que ponto pode ser o esquecimento um meio para novas possibilidades? Esta é uma questão que se põem aqueles que pesquisam história principalmente, pois há sempre essa questão da memória embutida nela: até que ponto (re)lembrar é útil? No entanto, não podemos nos deixar iludir, pois agir contra os movimentos da história, movimentos de devir essencialmente, seria tolice. O fascismo não acabou porque Hitler morreu e a Aliança perdeu a guerra. Aliás, sequer podemos chamar isto de fascismo, pura tolice, como se o que ocorreu em meados de um século qualquer fosse mais importante que qualquer outro tempo em algum ponto da história. O fascismo não é novo; e nós só não temos relatos de coisas “terríveis” (igualmente ou até mais) por fatores que vão desde o analfabetismo até a própria destruição dos documentos históricos (leia-se, qualquer escrito sobre uma guerra. Tomemos como exemplo a grande epopeia ateia de Lucano, “Farsália”). Aliás, pensemos sobre esta obra mesmo e analisemos o que o (pobre coitado do) Adorno quis dizer sobre a morte da poesia: o jeito de Lucano de denunciar a guerra e o derramamento desnecessário de sangue é feito através da própria poesia, e isto não é novidade. Herdamos dos latinos este pavor e tendência à guerra, pois, certamente, não é dos gregos que absorvemos isto. Enquanto a guerra era a mãe de todas as coisas gregas, a guerra era a proporcionadora da paz latina, como disseram os poetas de seus tempos. Nos tempos de hoje, no entanto, qualquer morte é proporcionadora de explosões. Temos acesso demais, notícia demais, sangue demais. Não prego a morte das guerras, pois o que seria de nós sem nossos jogos, o que seria do homem sem seu espírito agonístico? Não podemos ser tão egoístas a ponto de tirar uma das maiores virtudes do homem, que é o seu desejo imperialista (ouso mais ainda: instinto imperialista). Mas, é por causa daquela demasia toda de todas as coisas que pensamos que o momento presente é o onde tudo será resolvido definitivamente. Numa época em que nos gabamos de tanto avanço, como pode ser que retrogradamos ou não mudamos aquele velho instinto da dita “época das luzes” de acreditar que o fim do mundo é sempre iminente, que Satã irá chegar com seus sequazes, que o estrangeiro de hoje será a ruína de todo o mundo, de todos os tempos etc.? Todo esse espetáculo estúpido, tolo e inútil de morte de todas as coisas é nada mais que consequência de uma época de fraqueza extrema: “Sofremos as piores dores! Auschwitz chegou! Quem poderia esperar isto do Homem? Declaro a morte de tudo, pois não mais aguento a minha própria existência!” – Eis, então, que chega-me à consciência a luz daquilo que representa o maior amor da sociedade, o maior amor dos filósofos e cientistas da negatividade: inconsciente, negação da vontade, igualdade e “morte”, todos conceitos voltados para aquilo que é mais anti-humano e que, ainda assim, representa uma utopia; e o que quer a sociedade, senão utopias? Que os filólogos e historiadores continuem dizendo que o epicurismo surge apenas em tempos de trevas e crises – e que continue surgindo, pois não há afirmação e felicidade maiores.

Anúncios

2 comentários em “„Die Welle“ und die Überwindung des Faschismus

  1. Louis disse:

    Esquecer ou aceitar a humanidade do homem?

    Há algumas almas infelizes que se drogam de ingenuidade para bradar ao povo que muito do que o homem fez até agora é anti-humano (e eu fico boquiaberto pensando nisso, se o homem faz, e com constância, é provável que seja isso residente daquilo que mais de humano há no homem, sua humanidade…). Essas mesmas almas infelizes também são cegas, senão lunáticas, senão, ainda, egoístas – como você disse. Fazem toda a humanidade dos seres humanos serem e pretenderem ser aquilo que elas supõem, idealizam como humanidade. Criam uma ideia que jamais se misturará nas vivências do real, e querem impor ela como sendo o modelo da humanidade do bem, Por isso Gandhis, Por isso Terezas, Por isso socialistas. Eu acho que aqueles que esquecem não esquecem, e que por justamente lembrarem seguem sua vida, pois sabem que tão humanos quanto aqueles fascistas, somos nós também. Quero dizer, digo isso do que Nietzsche chamaria de “espirito superior”. Porque os outros, a nós as massas, talvez esqueçam mesmo, talvez nunca tenham sabido, talvez não liguem, talvez seu mundo não ultrapasse o Eu. Assim sempre dizem sua História ser a mais violenta, porque é excessivamente sua, porque ele, este da massa, está nela vivamente. E é essa massa que nos diria egoísta, logo nós que aceitamos a vida e toda sua realização.

    Assinado: Louis

    • SvenHeiter disse:

      Eu diria que, em relação a segunda parte de teu comentário, é bem o contrário o que acontece. Pois a imagem dos nazistas (e consequentemente dos alemães, vide como a própria língua alemã é vista como violenta) permanece fresca até demais na mente da populaça, não sendo surpresa alguma que figuras como Bolsonaro sejam apoiados, mas que não haja nenhum neo-nazista, pelo contrário, é expressamente proibido ser nazista – eis a nossa grande vingança contra o nazismo, a total expurgação (algo extremamente fascista aliás, pois eles queriam destruir seus inimigos judeus e afins).

      O caso dos “espíritos superiores” é muito particular, pois toda a filosofia nietzscheana se foca na tentativa de tornar possível este tipo de espírito, essa renovação e recriação do espírito humano, que tenha o esquecimento e a inocência como duas grandes bases para suas vidas (consequenciando naquilo que Nietzsche diz: “a vida como meio de conhecimento”. Por quê? Porque é apenas através dele que podemos superar, que podemos rir dessas babaquices, que podemos esquecer ativamente! Pois é preciso separar dois tipos de esquecimentos: o ativo (dos espíritos nobres, que se afirmam, os superiores) e o reativo (causado por doenças, males, é o esquecimento da sociedade, que sempre esquece negando, praguejando, odiando). Sob esta ótica que podemos afirmar que o esquecimento é mais do que possível. “Sem o esquecimento, não haveria possibilidade de felicidade”, já dizia Nietzsche, em “Genealogia da Moral”).

Comentem!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s