Irgend, irgendetwas…

Qualquer, qualquer coisa…

Pareço sentir o pesadelo de não ter dormido um sono que nunca tive, uma desigualdade latente lancinante entre os espaços de cada olhar de um olho meu, distorção intermitente não sei se dos objetos ou de mim, se da alma ou da pele. Quando paro e, a começar por meus dedos, sinto qualquer coisa, que creio ser o que tenho dentro, formar uma côdea por sobre minha pele que avança sem parar, sem que eu queira que faça algo diferente do que o que está, tenho a impressão de que qualquer coisa que venha a fazer não será capaz de chegar mais perto das sensações que sei ter no instante do que o silêncio, que no fundo não é mais que uma forma de comunicação de um corpo gritante. — Qualquer coisa, qualquer, que deixe minha vida mais devagar, mais natural e mais real.

Não por tristeza ou ódio ao que nunca tive ou ao que não fui, nem pela realidade retilínea do cotidiano, joguei-me num fluxo indefinível, num oceano sem partida nem fim, seteira sem sina nem ponto qualquer de retorno. Não sei o que vejo por dentro, sequer sei se é por dentro que vejo: importa-me mais ver do que a direção e sentido do objeto. Sei-me um qualquer estrangeiro que se interpõe nos sentidos sem meios, sem motivos para si, que somente ocorre fora da história, de qualquer memória.

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Esta entrada foi postada em Sven.

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