Ein Bisschen

De início, a expansão. Seu corpo se move para todos os lados, barrocão, todo esplendidamente riso. Me tocava a todo instante, indiretamente, com o corpo inteiro, o sexo fronte e verso, diretamente com dedos ludâmbulos, invencíveis, eu deixo, eternamente deixo seus dedos me conduzirem. A sala é grande, escura, há companhia a mais, não importa. Todos os móveis são sombras de tv, a imensa lamparina, o abajur, a cortina creme, o vento coleante pela frincha de alguma janela entreaberta, você e eu, mais eu que você, você é alheio, age independente, e eu sinto dependente. Seu dedo ríspido e sujo machuca às vezes, de propósito, você gosta disso, mas o faz até certo ponto, dentro de um limite que em mim não existe, e você o cria. Há uma vez em que você me morde, pergunta espantado se não está doendo, te olho rindo pelos olhos, você me sorri com os dentes — entenderá que seus dentes não me machucam por serem feitos de marulhos? um corpo de mar, se expandindo dia após dia sem ética —, e volta a me morder o braço, cada vez mais fino, agulha, filete de dor percorre meu corpo, mas não murmuro, não reclamo, suas duas mãos ásperas e sujas e suadas seguram o braço, tenta morder cada vez mais forte, e te olho com um carinho de pai e mãe e amante e amigo. A marca de seus dentes passam, a baba fica — por que limparia? minha pele o faz… —, os dias passam sem te ver, a equimose fica, dói, mas me faz sorrir.

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