…und noch ein Bisschen

E um dia escrevo que mais vale viver o amor que o escrever. Em seu corpo, espasmos de altitudes, longitudes, profundidades, pelos garços te envolvem, o pincel se perdeu, transviou-se, me fez jocoso medo de não saber ainda o que há em você integralmente, falsamente integralmente. O ar que algum dia me tranquiliza, invadido de ondas, me continua, e contigo torvelinhos furaconescos nascem em dança, grinaldam suas faces, saem janeiras de suas falas e rojões intensos de seus cus, assim se brinca melhor. Subimos, clichemente, um monte de onde podemos gritar pelas parcas pessoas que passam na calçada da esquerda, nenhuma delas nos ouve, assobio, faço pássaros saírem de minha boca, perseguindo o encalço deixado por algum deles, ninguém nos ouve, nem o excesso. Eu tenho medo de olhar pro céu, de cair pra cima, de acreditar existir coisas tão grandes bem em cima de mim — é o que você me diz. Te faço deitar as costas e mirar o céu, ponho minha mão esquerda sobre tua destra, e você ri universos tectônicos desmedomente, um balão cativo te lembra de seu medo, você tira sua mão debaixo da minha e a segura, palma a palma, mão suada, quase nada calejada, mão de moça segunda minha bisavó, tem que trabalhar, calejar os dedos, e ela, de alguma forma, é suada e ríspida, não sente mais medo do balão. Sonho que poderia te beijar, mas tua coragem já vale sexos. Não dá para escrever o amor, sinto-me um inútil, não tenho sequer gavetas onde jogar no fundo os papéis, um inútil que agora o sente mais forte que nunca e sentirá mais forte no presente. Nenhum excesso nos atrapalha; sua felicidade me contagia, vírus fedorento, esquete de auroras, vermelhidão matutina, tuas vísceras fazem barulhos altos vez por outra, perna machucada, é esplêndido tocá-la, átomo por átomo teu sorri e me cocegam, me invadem, destroem todos os símbolos, formas, sonhos, penas. Você me instaura corvos, urubus, de uma negritude fatal, carnal, fauceal, o chão se sobreleva sob seus pés descalços, os quais passa em meus rostos, ombros, omoplatas, antebraços, braços, mamilos, umbigos, negritudes pintam o branco para tingir horizontes.

Anúncios
Esta entrada foi postada em Sven.

Comentem!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s