Das Mädchen

Para Elise.

Eu sempre tive a maior estima por aquela menina. É simples entender o porquê disso. Ela esteve, ainda que não da maneira mais desejada por ambos, do meu lado. Criamos os laços mais fundamentais entre duas pessoas que se amam. O prazer daquelas longas conversas, ainda que silenciosas, mas recheadas de palavras, criaram o conforto, a segurança e o afeto de uma relação calorosa em meio a impossibilidade da calorimetria dos nossos corpos. Fez-me ter, certa vez, o desejo de Dante pela Beatriz, a bravura quimérica de enfrentar meus demônios juvenis.  Dedicar-me-ia uma vida inteira para fazê-la feliz, não fosse os carneiros sedentos e esbaforidos a procura das mais raras e belas flores terem-na arrancado do meu jardim. “Se alguém ama uma flor da qual só existe um exemplar em milhões de estrelas, isso basta para que seja feliz quando a contempla”, talvez poucos sintam com a mesma intensidade o que escreveu Antoine de Saint-Exupéry. Ó minha querida, fostes importantíssima outrora, mal sabes disso, mas há inúmeros desencontros nessa vida, não é mesmo? De você restou a saudade dos lábios, do cheiro, do abraço, das palavras, do lugar ao lado que se faz vazio desde então, da compreensão. Ó céus, quem mais entenderia a jovialidade doentia daquele menino? Enquanto caminhávamos naquele dia, sem saber que nunca mais nos veríamos, fomos felizes e jovens. Se eu soubesse que depois daquele dia teríamos apenas as nossas palavras para sentir, teria escolhido ficar com elas, foram tão belas e pueris, mas interromperia nossos silêncios antes de chegarem os carneiros no nosso jardim. Fostes para mim o significado do amor puro, e isso não mudará por nada, aceitaste a minha natureza, respeitaste a minha visão doentia do mundo, e deste-me apenas amor em troca dos meus pensamentos mórbidos. Amar-te-ei para sempre minha querida.

Do seu Benjamin.

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