Bewölktes Wetter

As coisas não são como costumavam ser. Os dias passados eram mais belos, mais amenos, mais azulados, mais nítidos e mais vivos, as horas estão se arrastando e é triste dizê-lo e senti-lo dessa maneira. A vida tem sido pesada, tem sido sem sentido, ao menos na maior parte do tempo. Tomei um banho do que não precisava e agora estou completamente molhado e coberto por uma camada de sabe-se lá o que é e que não sai mais da pele, de mim, tomou-me o ser. Escrevo e tento exorcizar-me. Em vão. Corrói-me a ideia de que talvez esteja eu perdido na ignorância do meu agir para sempre. Meu pensar é confuso e desejante. Desejos contraditórios, desejos que perdem sua potência com demasiada celeridade. Minha faculdade de compreender, analisar e julgar aquilo que me convém, aquilo que me é necessário, aquilo que deveria nortear as escolhas que devo fazer para viver e satisfazer-me satisfatoriamente em todos os aspectos relevantes para o meu existir, é falha. Escrevo na tentativa de limpar-me. Em vão. Meu agir, meu domínio sobre o que penso e desejo não conseguem tomar posse do meu corpo, é como se existisse uma guerra interna entre o que eu quero e o que eu faço, é como se uma parte de mim tentasse deliberadamente sabotar-me por completo por medo de sabe-se lá o quê, ou por puro masoquismo mesmo. Tenho acostumado-me com a frieza completa do meu sentir em relação a mim, acostumado-me a ser triste de um modo covarde. Por inação, por complacência a tudo aquilo que me faz mal, mas que é dado naturalmente a todos que encaram a vida com passividade e que de modo algum tiveram a fortuna de nascer num berço divinamente abençoado. Quedou-se inerte em mim a vontade de potência. Deus não está morto; quiçá nunca tivesse nascido, mas ao certo nunca nasceu, apenas em nossos pobres corações, apenas na nossa pobre cabecinha. Não suporto, na verdade, tanto pensamento em mim, tanta vontade em mim, entrei em colapso e tento desde então não deixar esmaecer o meu último fulgor na esperança de que a medicina traga-me, então, a cura. Mas para quê? “Que importa a minha felicidade! A minha felicidade, porém, deveria justificar a própria existência!”

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