Katzenfängermaus

Christo Coetzee - Janus

Rato pega-gato

Lembro-me – estou sentado em minha poltrona, olho pela janela o clima vasto, impregnando a relva de um verde forte, minhas sensações são um trampolim entre abismos – e me lembro de quando nos deitávamos juntinhos, ainda tão-cedo tão-breve nossa relação era!, bem juntinhos na cama de sua casa a qual roubava pra mim em minhas odisseias de alegres ao teu encontro, tu, rainha de meu viver, serpente do eterno bem, cujo veneno é vida, incessantemente contínuo; e ao sentir teu corpo junto ao meu, horas plácidas de profundo estanho, suas profundezas são nossa superfície – um singular tão forte pesa nesse nosso dessa superfície –, cheiro teus olhos, tua boca, teu pescoço, teu nariz, o cheiro que tu cheiras cheiro, e uma homeostase homoestática vibra de suas cores recém-natas para as demandas do dia. Você entrou no meu quarto, tão bela de ser apenas sua silhueta o que via, e você me vendo num filete de luz fraca, saída da janela de cortinas tão suaves, falou comigo e me ouviu em espanto de comprovar-me desperto, e você se deitou comigo, ah! e veio de beijos e corpo velado pela timidez casta de sua alma, seu pijaminha me permitindo sentir-lhe as pernas sobre as minhas, vestidas de calça de algodão cinza…

E as horas plácidas… entreabridas as cortinas, por motivos de sim alevantado, pego minha mão, que segue por si só o caminho sob sua camisa que sua mão faz sob a minha, e você treme como num choque de delirium tremens, uma rápida epilepsia, um décimo de milésimo de segundo daquela verdadeira Vida te perpassa, sinto com os limites de minha mão direita, palma fria, seu sopé e deixo que ali descanse minha mão, no seu pescoço, cosquinhas coscadas. Farejo sem que você perceba o leve cheiro que emana dos limites de minha mão e lhe percebo vazios de esplendor. Eia! Chegada é a hora, o nariz comunica ao corpo o que deve se tornar, se jogar de cabeça em seu pendor vácuo-vazio, abolir o ambiente do ser e esgarçar inerme em nosso estar. Você olha para o rapaz sem entender o que vai acontecer, não enxerga senão o presente (e é daí que o rapaz tirará sua dança), pois o peso do passado me dobra, sino que não para. E sinto do pescoço aos peitos a mão dele mais e mais tensa de uma energia foda pra cacete, mas temo tanto, minha família está dormindo e pode, e vai acordar, e sua alma é tão perfeita, ontem foi tão bom. O corpo inteiro do rapaz é vazio tremelicante de te pegar o corpo sem mais derrotas de abstrações. São três passos. Mas eu não sei se devo, ele está me sufocando, e eu estou amando, e quero mais, sim, mais, e um choque me explode casca adentro, não posso. Não acredito que ela se virou, ah, mas não mesmo, caralho, sim, sim, eu sei que não posso forçá-la a nada, e nem é bem isso que quero, e sinto seu cabelo ruivo sobre meu rosto e o primeiro passo dou sem titubear. É beijo na boca. Minha alma expande horizontes de mares infinitos, sua língua rouba a minha e não temo, por um momentinho não temo, mas que horror pensar, sei tudo isso e meu corpo para, um dobre de sino ainda ecoa nos obscuros de meus mares, quero ir mais fundo, sem temer a escuridão. Aleluia de cu-anal! Eia, avante! Morte e vida se veriam acanhadas diante desse amor teunosso. Sua boquinha é tão graçadamente pequena! Hah hah! É hora de por minha mão esquerda sob seu pescoço, afagando e carinhando o princípio de sua alma em peles, e desço minha destra a lateral de sua cintura e culote e coxa, sinto seus pelinhos de quem raspa, coscando-ando a palma da mão, e aplausos! que o segundo ato já vem em seu cume! É murro na trompa. Ta pôxa! C’é doido, é? Bateu na minha perereca por quê? Não vai doer tanto quanto se eu te chutar no saco, quer ver? Te coiço até tentar acertar seu saquinho próximo de mim. Uma sensação engraçada me arrouba o pensamento e sinto. Meu rosto é cada vez mais destronado pela distância entre crescer e descer que você me provoca, seu lindo. Entra cada vez sempre em minha alma – num ziguezague de nós – a suavidade da sua, abluído seu mar no meu, sua mata em minha, seu vulcão no meu, viagem de uma alma que nunca vi! E ainda é alma? É mais alma? Que medo, porra, por que sou assim? Quero mais de sim-vamos! Hah hah hah E é tão fofinhozinho te ver fingido dor! Perfeição de corpo, é teu meu terceiro ato, maior que quintessências de quinta categoria, me chupa Aristóteles, bicho chato resmungão, mas pera, não agora, ô bicha grega, ainda estou com ela e só depois vem você e teu migo. Mas não sem ela. Você embaixo no cu, ele em cima na boca e ela no meio. Terra, céu e vida, respectivamente sim – capicce? E lambo os beiços em vistas do que farei por último hah hah. Beijo os teus ombros, tuas costas, cheirando cada parte num cachorrês que vou te ensinando, teu lombo, a lanugem de suas costas inteiras prendendo meu cabelo no pouco que resta de mim aí em cima. Tiro minha canhota de seu pescoço, descendo, e a destra sobe um pouco até a cintura. É dentada nervosa no cu. Mas ainda sobre as calças, ai-ai. Ai! AAI! Não me faça gritar, seu coisa estranha do inferno! Você mordeu meu cu, é sério isso? Nem vem me beijar que tem pedaço de bosta aí na tua boca, seu nojento. Cacete, viu, no que é que fui me meter, como assim, meu! Porra, e tá doendo, esse é o pior. Quer me passar suas hemorroidas é isso, é? To fudida pra cagar… tomara que a prisão de ventre aperte aqui por uns dias, senão… Te odeio, seu trouxa. Me beija.

E seus mares brincam de alegria.

Em horas plácidas! Hah hah!

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