Allein

Algumas palavras ordenadas por uma mente confusa.

24/12/2013

Célere escrito acerca não do mais importante saber, mas, talvez, do mais necessário.

Saber ser sozinho. Ser solitário. Respirar fundo com a cabeça a meia altura e olhar o nada, sentindo-se abestalhadamente alegre com a facilidade de ser alegre e só. Irremediavelmente, perderemos a condição de outrora, permeada de pessoas que escolhemos estar perto, seremos sozinhos como na nossa doce infância. Saber bastar-se. Saber alegrar o próprio existir. Saber conversar consigo mesmo é mister.

31/08/2014

Eu queria ter sido solitário a minha vida toda, e apesar de pensar os outros com, amiúde, desprezo ou simplesmente com indiferença e repulsa, sinto uma vontade de sujar a mim mesmo e minha alma com todo o tipo de lodo.

14/09/2014

A isso chamo de: impressões errôneas sobre o que é viver, sobre a vida.

Para viver é preciso macular a alma, ferir-se de algum modo, amesquinhar-se e sentir vergonha tardia ou orgulho de ser imbecil. Para viver é preciso sentir dor, vencer o medo do medo, entrar no fluxo das vaidades e interesses mais insignificantes, querer o que é desejado pelos demais, ou, para viver, é preciso apenas o silêncio e a companhia de si mesmo, mas, conte-me meu caro, que fazes tu aqui querendo ser sociável diante de meus olhos, vá, viva a tua mais solitária fantasia, ainda que paralelamente a tua vidinha “pseudo-capitalista”; nem para isso serves tu.

23/10/2015

Estou dividido sempre entre o que sou e o que tenho. E daí? A vida é feita mesmo de sucessões de cenas que culminam em algo: alegria ou tristeza, prazer ou sofrimento. Cabe a nós a divertida tarefa de manipular as cenas, criá-las, adaptá-las, enfeitá-las, roteirizá-las. Às vezes, dá pra chegar num quebra-cabeça sem imagem, ou com uma tal que nos jogue longe. Onde cairei? Se cair, não me importa saber. Saberei que fui alegre. Que pra viver, só dá pra ser com a alegria. É o que chamava, alguma dia, de impressões da vida. Ou algo assim. Hoje continuo a pensar muito sobre a vida — sobra-me tempo e espaço para tanto —, mas algo estranho aconteceu, uma ideia se intrometeu em meio a esses dias e pensamentos, alguma coisa como um estranhamento a toda surpresa. Ando com minha solidão os dias e noites das ruas, todos os fantasmas que me atormentavam hoje estão encarnados em amizades de verdadeiro sentimento, principalmente por uma autenticidade estranha a muitas pessoas. Minha vida passa. Vejo sua cascata e me alegro com minha morte, tanto quanto uma nuvem por chover e desaparecer para outros céus. Tão diferente.

27/12/2015

Uma época pós-natal e pré-ano-novo parece perfeita para andar na rua e perceber onde erramos. Um ano de trabalho para comprar presentes que em breve serão destruídos, esquecidos, para quando essas crianças crescerem terem algum tipo de lembrança vaga do que tiveram um dia. A maioria não se lembrará. Como o aniversário de um ano de idade que nenhum de nós lembra. Enfim, vem a preparação para a palavra de ordem de um novo ano, que de novo trará nada de novo, apenas mais um ano, as mesmas contas, as rotinas de estudos (ainda que sejam de novas coisas), sair com os amigos, ter confusões com outras pessoas, e é sempre assim porque, em nós mesmos, em verdade, nada há que possa destruir-nos, a vida passa com mais calma se podemos ter por parceiros apenas quem não quer ter parceiros, numa distância sempre tangente. E então os mesmos remédios, e a mesma aproximação da morte. Reconheço-me nesse espetáculo apenas como uma parte que se desprendeu, uma sombra, o diabo que se desprendeu da trindade. Tenho por parceiros todas as ciências que sumiram. Subsistimos pela noite, sem remorsos do dia.

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