Versuch und Irrtum

Quantos pensamentos já não passaram por minha cabeça desde aquele tempo. Tudo que pensei, tudo o que escutei, senti, vi e vivi. Quantos segundos são necessários para misturar todo o passado e projetar numa tela turva em minha mente junto com uma avalanche de sentimentos? Aqui não há ninguém, e só eu posso sentir isso. E sempre será assim. Memórias indecifráveis, fantasmas invisíveis. Sinto saudades de alguns sentimentos primitivos, inocentes e doces que outrora tinha. Sinto saudades dos medos ilógicos. Tenho uma vontade estranha de poder ter conhecido a mim mesmo no passado, sobretudo, sem que aquele menino que eu era soubesse disso. Como nos tornamos isso? Onde que nos perdemos do nosso caminho? Qualquer coisa de lastimável há em nós. Qualquer coisa de vergonhoso. De sujo. Por mais que queiramos nos considerar os homens pensantes mais sensatos, racionais e por mais que nos apaixonemos por nossas ideias e acreditemos serem elas  as mais inteligentes e corretas, seremos sempre aquilo que tenta e erra, aquilo que envaidecidamente se sabota a si mesmo num eterno vagar errante, consolidando as sujeiras mais mesquinhas, com ou sem paixão. Não há nada pior que sentir vergonha de si mesmo por se autoflagrar acreditando apaixonadamente em algumas ideias que, sobretudo, não são nem nossas. Isso nos faz questionar cada pensamento, cada sentimento, e nos joga cara a cara com a impossibilidade de assim fazê-lo sem ter a neutralidade para tanto, sem que nos apaixonemos novamente. A vida mais doce é com o silêncio e o ecoar das – nossas – ideias dentro da nossa cabeça, num quarto pequeno, gelado, com a luz do sol a iluminar os móveis e os ácaros que dançam, placidamente, após o balanço do lençol no ar.

Leben und Sterben

Quantos caminhos ainda será necessário percorrer pra que esteja eu satisfeito comigo mesmo? Quantas palavras a mais, ditas por mim mesmo, tentarão definir-me na tentativa de enquadrar-me nas minhas aspirações de perfeição? Que quero eu de mim? Que quero eu saber daquilo que não preciso saber? A vida é um labirinto sem saída. Percorremos desesperados os sons que escutamos, as imagens que não podemos ver mas que acreditamos existir, na tentativa de escaparmos de nós mesmos. Talvez, ainda, sejamos o próprio labirinto. Passamos a vida inteira tentando entender a nós mesmos, tentando sair de dentro de nós mesmos para nos enxergarmos de fora sob as mais diversas perspectivas. Eu me pergunto, inconformadamente. Que quero eu saber de mim mesmo? Preciso justificar aquilo que é justo, simples e justamente por existir? Eu, às vezes, procuro sentir como uma criança, não com ingenuidade ou coisa que o valha, mas com a leveza e os olhos delas, a examinar, e a examinar novamente, e a continuar examinando algo, até o momento do desinteresse, abandono e esquecimento completo da experimentação do exame. Eu, ainda, às vezes, procuro sentir como um gato domesticamente sociável, que é indiferente aos cenários insignificantes a sua volta, mas que instintivamente é astuto com as suas demandas mais prementes. Eu, às vezes, só procuro sentir, e às vezes, por ironia, só procuro não sentir. Procuro ainda não ser tão primitivo, controlar meus impulsos doentios e animalescos. Sou um humano doente certamente. Não por escolha, ou por seja lá quais motivos. Mas por consequência de todos os milênios de meus antepassados doentes. Quem somos afinal? Continuar lendo

Sehr schnell

Bem rápido

“Nossa, é muito bom esse café. Olha… ah, já saiu o tremor das pele. Foi rapidinho hah hah.”

O tremor das pele… Não pude dizer nada, apenas fiquei olhando-a dizer e rir disso, uma simplicidade de soltar a voz e me dizer o que houve. E o que houve? Sua pele estremeceu pelo café e eu nem pude ver. Aconteceu e eu não posso provar. Mas o que vejo de seu corpo, ah, isso pode e não preciso de mais. Fé? Nada, foi só café. (puta que pariu, que horror.)