Leben und Sterben

Quantos caminhos ainda será necessário percorrer pra que esteja eu satisfeito comigo mesmo? Quantas palavras a mais, ditas por mim mesmo, tentarão definir-me na tentativa de enquadrar-me nas minhas aspirações de perfeição? Que quero eu de mim? Que quero eu saber daquilo que não preciso saber? A vida é um labirinto sem saída. Percorremos desesperados os sons que escutamos, as imagens que não podemos ver mas que acreditamos existir, na tentativa de escaparmos de nós mesmos. Talvez, ainda, sejamos o próprio labirinto. Passamos a vida inteira tentando entender a nós mesmos, tentando sair de dentro de nós mesmos para nos enxergarmos de fora sob as mais diversas perspectivas. Eu me pergunto, inconformadamente. Que quero eu saber de mim mesmo? Preciso justificar aquilo que é justo, simples e justamente por existir? Eu, às vezes, procuro sentir como uma criança, não com ingenuidade ou coisa que o valha, mas com a leveza e os olhos delas, a examinar, e a examinar novamente, e a continuar examinando algo, até o momento do desinteresse, abandono e esquecimento completo da experimentação do exame. Eu, ainda, às vezes, procuro sentir como um gato domesticamente sociável, que é indiferente aos cenários insignificantes a sua volta, mas que instintivamente é astuto com as suas demandas mais prementes. Eu, às vezes, só procuro sentir, e às vezes, por ironia, só procuro não sentir. Procuro ainda não ser tão primitivo, controlar meus impulsos doentios e animalescos. Sou um humano doente certamente. Não por escolha, ou por seja lá quais motivos. Mas por consequência de todos os milênios de meus antepassados doentes. Quem somos afinal? Estamos certamente acostumados a estar na nossa própria presença, e na presença de humanos como a gente. Sempre tão semelhantes, tão iguais, tão incrivelmente parecidos, tão angustiantemente similares. Já não sabemos quem poderíamos ser. Ou quem éramos. Ou como… É enlouquecedor entender que estamos presos a tudo isso, a toda essa carga histórica, a toda essa hereditariedade, a toda essa congênita e dolorosa impotência de ser, um pouco mais livre talvez, um pouco mais humano quem sabe, um pouco mais vivo. O que você tem feito para sentir-se vivo? O que você tem feito para sentir-se honesto consigo mesmo, em meio a toda essa patogenicidade congênita. Tem contemplado a natureza, suas constantes mutações, ou simplesmente a mecânica dela? Tem satisfeito e explorado tuas necessidades fisiológicas? Seja como for, acredite seja lá em o que lhe foi dado para acreditar, pense o que lhe foi induzido a pensar, faça o que lhe foi permitido fazer, você irá viver e morrer, provavelmente uma única vez, e percorrerá muitos caminhos, e tentará encontrar muitas definições para tudo, e será como todos, aqui neste imenso universo se perguntando: mas que diabos eu estou fazendo aqui? Como diabos eu vim parar aqui? Como diabos isso tudo existe? Eu sugiro que você não adote a primeira e nem a ultima resposta como verdadeira. Mas que aproveite tudo isso, com os olhos de uma criança, com curiosidade, com exame de tudo o que lhe for conveniente, com experimentação e com esquecimento.

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