Versuch und Irrtum

Quantos pensamentos já não passaram por minha cabeça desde aquele tempo. Tudo que pensei, tudo o que escutei, senti, vi e vivi. Quantos segundos são necessários para misturar todo o passado e projetar numa tela turva em minha mente junto com uma avalanche de sentimentos? Aqui não há ninguém, e só eu posso sentir isso. E sempre será assim. Memórias indecifráveis, fantasmas invisíveis. Sinto saudades de alguns sentimentos primitivos, inocentes e doces que outrora tinha. Sinto saudades dos medos ilógicos. Tenho uma vontade estranha de poder ter conhecido a mim mesmo no passado, sobretudo, sem que aquele menino que eu era soubesse disso. Como nos tornamos isso? Onde que nos perdemos do nosso caminho? Qualquer coisa de lastimável há em nós. Qualquer coisa de vergonhoso. De sujo. Por mais que queiramos nos considerar os homens pensantes mais sensatos, racionais e por mais que nos apaixonemos por nossas ideias e acreditemos serem elas  as mais inteligentes e corretas, seremos sempre aquilo que tenta e erra, aquilo que envaidecidamente se sabota a si mesmo num eterno vagar errante, consolidando as sujeiras mais mesquinhas, com ou sem paixão. Não há nada pior que sentir vergonha de si mesmo por se autoflagrar acreditando apaixonadamente em algumas ideias que, sobretudo, não são nem nossas. Isso nos faz questionar cada pensamento, cada sentimento, e nos joga cara a cara com a impossibilidade de assim fazê-lo sem ter a neutralidade para tanto, sem que nos apaixonemos novamente. A vida mais doce é com o silêncio e o ecoar das – nossas – ideias dentro da nossa cabeça, num quarto pequeno, gelado, com a luz do sol a iluminar os móveis e os ácaros que dançam, placidamente, após o balanço do lençol no ar.

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