Schlaflose Betrachtung

Meditação insone

Por que diabos, questiono-me, insistimos em nos meter nas ninharias cotidianas da vida? Nas insignificâncias diárias que constatamos ser inúteis, e que nos sorvem, amiúde, o animo por completo. Há toda sorte de questões na vida nas quais não deveríamos empreender nenhuma energia, pela simples motivação de nos preservar, sobretudo do enfado. Há evidentemente fortuitas situações que deveríamos tratar como se fossem guerras, mas elas raramente existem no mundo em que vivemos, e quando existem, quão mais raros os bons guerreiros, que, não obstante o medo, avançam. Que aprendamos a desviar o olhar de tudo aquilo que não merece atenção. É necessário que aprendamos a viver, mas não falemos uma palavra sobre isso. Não falar, eis tudo. Viver, e que, para isso, utilizemos uma quantidade minima de palavras faladas. Que aprendamos a ser concisos e certeiros, para não repetir o mesmo pensamento e fala duas vezes. Talvez não devêssemos desviar o olhar, mas desviar a fala: contê-la. De nada te servirá que o outro saiba o que tu pensas sobre as coisas na maioria das vezes. Sê, em silêncio. Que tuas palavras sejam apenas divertimentos, na companhia dos que tiverem contigo — nas colheitas do dia, e disparidades da noite. Um fulgor de saber rir é bem maior que qualquer seriedade. Lutas? Para que lutas? Não importa o que se passou, mas o que fazer depois. Não contar o sofrimento passado ou presente. O primeiro já não é mais; o segundo é falso e pouco interessante. Se o sofrimento não for substância de vida, então que seja de morte; assim poderão dizer o que quiserem depois. Se for, a cabeça estará mais firme no pescoço, a postura estará quebrantada de cicatrizes, mas a alegria que disto surge é que será o que requer a vida, esse campo profundo de plenitude.

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