Nihilismus

lokura

Tenho vontade de não aguentar mais as vicissitudes de minhas tristezas. Tenho vontade de cegar e ensurdecer-me de todo o mundo, para que eu não precise mais justificar as minhas fraquezas e nem enfrentá-las. Superá-las parece-me algo sem sentido. Quem sabe não sejam fraquezas e sim a simples luta contra a aquilo que não precisaria ser. Não querer tornar-se o que não se é. Meus passos carecem de sentido, geográfica e psicologicamente. As minhas vontades são norteadas por deveres civilizados, fracos, lancinantes. Ainda que o riso tome meu ser vez ou outra, ele já não faz sentido nesse coração niilista incorrigível. Talvez devesse esquecer de tudo que não precisa ser lembrado e vagar até a morte errante em cima da terra. Talvez devesse apenas não ser, não explicar, não justificar, não lembrar, não me preocupar. Talvez devesse apenas encontrar o lugar mais belo e ali ficar até meu corpo apodrecer inerte às intempéries do mundo. Já não tenho mais palavras para mentir pra mim diariamente de que essa vida é bela e que vale a pena. Não tenho condição mental de suportar a vida como é, as paisagens e cenários repetidos. Talvez devesse acabar abruptamente com tudo. Sem dor, sem sofrimento, sem espera. Por um ponto final naquilo que não precisa ser.

Bewölktes Wetter

As coisas não são como costumavam ser. Os dias passados eram mais belos, mais amenos, mais azulados, mais nítidos e mais vivos, as horas estão se arrastando e é triste dizê-lo e senti-lo dessa maneira. A vida tem sido pesada, tem sido sem sentido, ao menos na maior parte do tempo. Tomei um banho do que não precisava e agora estou completamente molhado e coberto por uma camada de sabe-se lá o que é e que não sai mais da pele, de mim, tomou-me o ser. Escrevo e tento exorcizar-me. Em vão. Corrói-me a ideia de que talvez esteja eu perdido na ignorância do meu agir para sempre. Meu pensar é confuso e desejante. Desejos contraditórios, desejos que perdem sua potência com demasiada celeridade. Minha faculdade de compreender, analisar e julgar aquilo que me convém, aquilo que me é necessário, aquilo que deveria nortear as escolhas que devo fazer para viver e satisfazer-me satisfatoriamente em todos os aspectos relevantes para o meu existir, é falha. Escrevo na tentativa de limpar-me. Em vão. Meu agir, meu domínio sobre o que penso e desejo não conseguem tomar posse do meu corpo, é como se existisse uma guerra interna entre o que eu quero e o que eu faço, é como se uma parte de mim tentasse deliberadamente sabotar-me por completo por medo de sabe-se lá o quê, ou por puro masoquismo mesmo. Tenho acostumado-me com a frieza completa do meu sentir em relação a mim, acostumado-me a ser triste de um modo covarde. Por inação, por complacência a tudo aquilo que me faz mal, mas que é dado naturalmente a todos que encaram a vida com passividade e que de modo algum tiveram a fortuna de nascer num berço divinamente abençoado. Quedou-se inerte em mim a vontade de potência. Deus não está morto; quiçá nunca tivesse nascido, mas ao certo nunca nasceu, apenas em nossos pobres corações, apenas na nossa pobre cabecinha. Não suporto, na verdade, tanto pensamento em mim, tanta vontade em mim, entrei em colapso e tento desde então não deixar esmaecer o meu último fulgor na esperança de que a medicina traga-me, então, a cura. Mas para quê? “Que importa a minha felicidade! A minha felicidade, porém, deveria justificar a própria existência!”

Gegen den postmodernen Nihilismus

Contra o niilismo pós-moderno

Sinceramente, esse pessoal reclamando de um cachorro morto ainda me dará câncer. Pessoal que fica se doendo porque desta vez a violência foi gravada, mas e os outros cachorros que neste momento estão lá na rua apanhando de um monte de bêbados? E aqueles que estão morrendo de fome? Apesar de não gostar muito de Bauman, é fato que essa pós-modernidade é puramente líquida, inapreensível…mas não se preocupem! Há um lado bom nisso tudo: por ser uma pós-modernidade líquida, daqui a pouco surge outro vídeo e/ou notícia mais chocante que essa para então esse pessoal de Facebook poder fazer mais manifestações de sofá, odiar-se a si mesmo cada vez mais e mais, rogar cada vez mais e mais pragas contra a raça humana ou então resolver nossa violência com mais e mais violência! Uma violência mentirosa, uma vez que todos são corajosos na medida em que estão atrás de um monitor. O bem vencendo o mal com as mesmas armas que o mal usa para fazer o mal. E se não isso, a arma é a estagnação total, parada total para deixar nas mãos de Deus. Que venham dizendo que pelo menos estão fazendo alguma coisa, mas a realidade é que nada está sendo feito: se você acredita estar fazendo algo de bom quando comenta em algum lugar que não tem mais fé na humanidade ou quando você manda pro “safernet” o site do Koerich ou um vídeo de cachorrinhos em um balde sendo jogados no rio, então você é um ingênuo. Mas não se preocupe, pois você não está sozinho. Olhe pro teu lado, ele também é outro ressentido que vai te ajudar a denunciar todas as maldades que são feitas na internet! Pois, uma vez que da internet foram deletadas tais imagens horríveis (tais quais sites de pedofilia), é fato que a ação na vida real foi totalmente anulada! Parabéns, você ajudou uma criança a ser desestuprada; parabéns, você desafogou os cães; parabéns, você descremou o gato; parabéns, você tirou a fome daquela criança. Melhor do que ficar se enganando com esses placebos, é aceitar a realidade tal qual ela é (a realidade sempre foi cruel, a diferença é que hoje nós estamos tomando conhecimento disso mais rapidamente) ou sair e ir fazer alguma coisa de fato.